3 de julho de 2007

Lembranças perfumadas...


Hoje estou MESMO MUITO cansada e não me apetecia escrever nenhum post. Mas estava já pronta a dormir, quando me lembrei que tenho um(a) "leitor(a)" que cá vem todos os dias pela manhã, de segunda a sexta, sempre à mesma hora desde que um Amigo meu andou a fazer das suas. E não sei porque "carga de água" levantei-me e vim escrever o que estava a pensar. Se calhar já pifei e não dei conta.... E o que estava a pensar era isto:

Estava a lembrar-me dos meus tempos de infância durante as férias. De como era bom! O ar era ar. Sim, o ar puro daquelas terras onde só parava de brincar para ir dormir. Nas noites de verão, jogávamos às escondidas. Todos os meninos, sem cá coisas complicadas que os adultos inventam. E íamo-nos esconder longe e corríamos que nem doidos para não perdermos. De manhã, (qual manhã!), de madrugada acordava a ouvir os galos e enfiava a cabeça debaixo da almofada para tentar abafar o som. O calor quando me levantava já era muito. Durante a tarde, depois do calor insuportável, jogavam à bola. Eu nunca fui grande coisa. O respeito dos outros era mesmo medo das caneladas que mandava. Ahahahahah

As chaves nunca estavam do lado de dentro. Estava sempre do lado da rua. Quem quisesse entrar podia entrar. Não havia cá medos de assaltos como há na cidade. Conhecia todos os vizinhos, e todos me conheciam. E mesmo que não soubessem quem eu era, "tiravam-me pela pinta", olhavam para mim e reconheciam logo a família a que pertencia. Há traços muito característicos. O tempo chegava para tudo, para o meu tudo de criança. Esfolava os joelhos e passeava de bicicleta, à vez com o meu irmão, por onde me apetecia e ainda sobrava tempo para ir ajudar os meus avós naquilo que era preciso.

Lembro-me de ir acender a vela ao Santíssimo, ou por outra de ir renovar para não se apagar. Será que é assim que se diz? Eu que nem tinha altura para lá chegar. Mas gostava de ver aquelas coisinhas pequeninas, com formas esquisitas, de todo aquele ritual. Durante alguns dias, fosse Inverno ou Verão, era normal aparecer lá por casa, a Sagrada Família. Ao escurecer o sino tocava três vezes. Era o toque das Avé-Marias. Toda a gente parava. À noite era comum ver os mais velhos de terço na mão.

E ainda podia escrever sobre tantas coisas...

Hoje, uma das casas está vazia. Sem ninguém.
A outra não está vazia, mas também já não está lá o meu avô.

E tudo se resume a lembranças perfumadas de amor da minha infância...



Sê FELIZ!!!!!!!


6 comentários:

Anawîm disse...

hummmmm...
também tenho tantas dessas recordações...
sim... a chave do lado de fora da porta...
também me conheciam "pela pinta", eheheh
brincar, brincar, brincar.... até cair
e corriamos no pinhal
e...

ali... nem existiam televisões, só no Café que ficava na vila, que ainda ficava longe...
e à noite, depois do jantar, "pela fresca", os adultos, cada um pegava num banquito e sentava-se toda a vizinhança junta...
...havia sempre conversa... eheh.
Ou no Inverno, havia sempre alguma Ti Maria, ou Ti Joaquim da Horta... que se juntava a nós, na lareira grande da cozinha...
(hoje, é triste, nos apartamentos, há quem nunca tenha visto o rosto do vizinho que vive ao lado há anos...)
mas é bom, bom, bom demais recordar as férias de tempos passados

Rui Santiago cssr disse...

Memórias de infância incrivelmente parecidas com as minhas...
E, já agora, este "leitor" também passa por cá todos os dias, ahahah, mas a horas menos próprias... Hoje, excepcionalmente, até vim cedo.

Obrigado pelos posts que tens partilhado...

SHALOM

joaquim disse...

Nunca aqui tinha vindo, mas este espaço tocou-me.
Este texto traz-me lembranças parecidas.
Hei-de voltar.

Abraço em Cristo

Sol da manhã disse...

Olá Anawin,

"pela fresca", sim também tive disso.
E as noites de Inverno que eram tão longas, tão longas... A lareira era ponto de encontro e a minha avó mesmo cheiiiiinha de sofrimento contava-nos histórias. Era tão engraçado porque ela dramatizava! Ou então cantava e como cantava bem!

Obrigado!
Maria

Sol da manhã disse...

Olá Caríssimo!
(desculpa mas não resisti)

Eu sei que passas. Eu sei :).
Olha ontem de manhã fizeste-me chorar quando li a tua partilha (devo andar muito sensível). À noite chorei de tanto rir. Pareço uma doida.

Vou confessar-te uma coisa: Depois de publicar o post lembrei-me que tu também devias "ter tido doses destas" na tua infância. E só inferi isto por causa de uma frase que disseste na primeira homília que te ouvi.

Obrigado.


SHALOM

Sol da manhã disse...

Olá Joaquim,

Seja Bem-Vindo..."a chave está sempre do lado de fora da porta"...

Obrigado pelo seu comentário.

Um abraço,
Maria