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Mas eu sou sempre teimosa e não desisto assim à primeira. E tu já o sabias. No aconchego do meu quarto escrevi-te uma carta. Era a primeira. Tosca, muito tosca mas, era a primeira.
Voltei à praia, à areia. Escondi a carta por entre as rochas. E fiquei a falar em silêncio com o mar.
No metro. No metro era mais complicado deixar-te uma carta. Escrevi-a em tinta invisível para não revelar, assim, os meus segredos. Tu saberias como lê-la. E no meio da multidão senti-me única e especial!
Foram as primeiras três cartas! Muitas outras se seguiram onde te contava tudo. Já te tinha escrito quarenta cartas e nunca me tinhas respondido. Mas alguma coisa, cá dentro, me dizia que as lias todas. Mas não tinha certezas de nada. Quarenta cartas.
Um dia, o carteiro bateu-me à porta. Tinha um telegrama para mim. Dizia simplesmente, “Amo-te”. E nesse momento, chorei de tanta alegria. O carteiro sorria e eu chorava a rir!
Continuei a deixar-te cartas na praia, no jardim e no metro. Uma primavera contínua no coração, de júbilo onde tudo resplandecia e irradiava beleza. Tudo por causa daquele “Amo-te” em telegrama. O tempo passava mas, nunca mo dizias assim de caras, eu não te via, nem te ouvia. E era estranho, porque alguma pessoas aproximavam-se de mim e com os olhos brilhantes sussurravam-me ao ouvido “Amo-te”. E se à primeira vez, que isso aconteceu, eu duvidei, à segunda duvidei menos que era de ti que vinha. Passei a estar muito atenta às pessoas que se cruzavam comigo na vida. De vez em quando via uma ou outra, com sorrisos estampados no rosto e intuía que era por causa de terem cravado no peito um “Amo-te” teu. E contava-lhes a nossa história. Aprendi a esperar quieta mas, em rebuliço permanente para ver se tinhas mais algum recado para mim. E passámos tanto, tanto tempo nisto! Um enamoramento profundo e contínuo. Como era feliz!, e de cada vez que ouvia um "Amo-te" por outro alguém exultava de alegria e agradecia-te em silêncio.
Um dia, sentei-me num jardim mas, já não aquele. De outro que tinha recriado no meu percurso. Era um jardim diferente de todos os outros. Tinha 7 árvores. Seis árvores que ladeavam uma árvore robusta, frondosa, com raízes tão fundas e fortes que alimentavam as outras dispostas em círculo. E sentei-me por entre as raízes, que saíam da terra da árvore central, para me sentir aconchegada.
E desta vez, já com tantos anos de treino, consegui parar mesmo o tempo e ficar verdadeiramente em silêncio. E de repente, de repente, não sei como, senti o teu perfume. Numa absoluta serenidade, fechei os olhos para saborear plenamente aquele momento. Depois... depois, olhei para o lado com uma paz e segurança indescritíveis e... e, lá estavas tu! "Amo-te"...
...de braços abertos, olhar penetrante, a sorrir como sempre...

7 comentários:
Acabei a história com reticências porque não consigo mesmo pôr-lhe um ponto final. Cada vez que o escrevo, apago-o. Esquisitices da Maria. Está com reticências porque sim!ahahaha porque sim, é sempre uma boa resposta...quando...não interessa...acaba por aqui...
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Acabaste o texto com reticências porque a história ainda não acabou...
Foi o texto que acabou, só o texto, nao a história. A história ainda agora está no começo...
Caríssimo,
Hmmmm achas??? Eu acho é que ando a apanhar sol a mais, mesmo usando chapéu e evitando as horas de maior calor... Isto de viver no deserto, trabalhar (um bocadinho a mais da conta) e comer um bocadão a menos da conta... me está é a pôr pirolitada da cabeça, eheheh! Ou seja, são tudo sintomas de insulação!!!!!!!!! ahahahahaha (pronto eu não brinco mais, mas só me dá para me rir de mim mesma... que queres!!!!!) O que vale é que já só falta quase um mês(!!!!) para regressar tudo à normalidade ou à (a)normalidade do costume!!!!!!!!!!!!!
Isto é tudo é falta de férias!!! Se isto continua assim ainda faço curto-circuito ainda antes de chegar aí!!!!!!!!!
Olha desculpa o comentário ao comentário!!! mas estou cheia de soninho mas MUITO bem-disposta! e depois só digo montes de disparates, ahahahahaha!
Um abraço gigante,
Maria
Meu AMIGO Rui,
Este comentário surge 5 horas depois do anterior, depois de ter saído do trabalho, ido ao supermercado, vindo para casa, ter passado montes de tempo a não fazer nada de jeito, de ter ficado em silêncio e de me ter dado uma vontade ENORME(coisa que já não me dava desde há muitos meses) de ir ler o texto da bicicleta.
Lembras-te da bicicleta? ehehehe
Ai,há coincidências tão BONITAS!Que até me deixam assim meia gagá...
Faz hoje 6 meses, que celebrei (a convite!) uma Eucaristia como nunca o tinha feito!!! Seguida de momentos MUITO BONS! etc etc etc
Percebeste?
É bonito ter sido hoje, sem premeditação absolutamente nenhuma que surge o Amo-te (2)! E o teu comentário! :D ...
É coincidência BONITA não é?
E só me dei conta disto quando PAREI, já estava praticamente a amanhecer aí...
SHALOM
Acabei de ler a história e assim com eu sou, ou Ele me fez agora, a água lacrimosa apareceu...
É como diz o Rui: A história ainda agora começou...
Andaste por praias, jardins, metro, etc, e Ele sempre a dizer: amo-te...
Eu andei por caminhos pedregosos, pelas silvas, pelo lodo e pela lama, e Ele sempre a gritar, (para se fazer ouvir por cima do barulho do mundo): amo-te...
E sempre assim:
...de braços abertos, olhar penetrante, a sorrir como sempre...
No meio das 7 árvores, sento-me, leio a tua história, deixo-me invadir por ela, saboreio-a e dou graças a Deus por ti, por mim, por todos, porque Ele nos ama assim...
Abraço amigo em Cristo
Ai, Joaquim... palavras para quê...
Obrigado, obrigado por também estar por aí!
Um abraço,
Maria
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