Estava a trabalhar mas não conseguia concentrar-me. Desisti. Precisava de andar para ver se percebia o que estava a incomodar-me. Para pôr as ideias em ordem. Descobri, depois de alguns anos de ter este hábito, que os cientistas dizem que ao fim de uma longa caminhada o nosso cérebro liberta umas moléculas engraçadas que lhes chamam "endorfinas". Eu não sei se é verdade mas, lá que me acalma, acalma. Mesmo não podendo muito e sabendo das consequências não consigo perder este hábito. É como se rebentasse se ficar parada. E pronto, desisti de me contrariar, levantei-me e fui andar...
Aqui há uns largos anos atrás, vi um filme cuja acção se passava em África numa colónia inglesa onde era retratado este deus. O filme até era bem cómico e nunca mais esqueci de certas cenas. Tudo começou com uma desgraça e havia uma pobre pessoa que era o "prato favorito" deste deus. Tudo tinha começado com uma desgraça que tinha amuado de tal modo o deus que ele mandava sucessivos u-à-lá-lás como forma de castigo. O mais engraçado era que se via mesmo o céu a trovejar e num relâmpago lá vinha por aí abaixo um castigo que atingia esta pessoa. E foram sucessivos castigos até que deus se regalou e satisfez com tanto culto e oferenda.
Voltei a esbarrar-me com o deus U-à-lá-lá numa homília numa aldeia perdida no meio dos montes. E tive que morder bem as bochechas para não me desatar a rir com as imagens que me vinham à cabeça, senão ainda era fulminada pelas "beatas aventesmas". Dizia ele "não se admirem que a vida vos corra mal senão vierem à missa... a vossa obrigação é vierem todos os domingos... depois não se admirem se Deus vos castigar..." Quando saí da Igreja vinha perdida de riso com tanta imagem que me ia na cabeça e só me apeteceu ir bater-lhe à porta e dizer-lhe que não era assim que se "conquistavam as ovelhas tresmalhadas, que assim não ia a lado nenhum..." Mas quem era eu... apenas uma miúda! Aqui, há tempos, confirmei que afinal tinha razão... em vez de as conquistar, espantou-as...a quase todas...
Há para aí 3 anos, voltei a esbarrar com o deus U-à-lá-lá, numa Eucaristia animada por jovens e para jovens numa paróquia vizinha da minha, na cidade onde trabalho. Estávamos em altura de eleições e dizia ele num tom gradualmente inflamado "A vossa obrigação é ir votar... (Tudo bem até aqui) Porque não votar é pecado" E pensei em fracção de segundos (bem, o tom está a subir, isto vai dar..) E agitando violentamente o braço e subindo o tom da voz termina relampejando: "E até vos digo mais: não votar é pecado e pecado MORTAL". Trovão. Tchanana tinha chegado onde eu intuía que ía chegar. Como se fosse assim que as pessoas fossem convencidas a ir votar... Mordi, novamente, as bochechas e pensei "Olha cá está outra vez o deus U-à-lá-lá".
No meu dia-a-dia, tenho-me cruzado muitas vezes com este deus caprichoso, amuado e birrento noutros rostos. E não são assim tão poucos... Está sempre presente quando me dizem "Ai, a minha vida! Deus castiga!" ou quando dizem "Deus castigou-me porque fiz isto ou aquilo." Por norma, surgem as "rezas" maravilhosas, os sacríficios de reconquista do deus e até às "bruxas" vão porque afinal, deus desapareceu e não quer saber de nós!
Cada vez que oiço "Deus castiga" returco que "Deus não castiga. Nós é que nos castigamos a nós próprios e aos outros. Deus é Amor". Mas, não surte efeito nenhum... e já nem falo em tantas outras coisas...
Até quando?
Até quando vai existir o deus U-à-lá-lá?!
Até quando vai estar presente o deus U-à-là-lá sempre disposto a lixar-nos a vida em vez do Deus Amor, do Deus-Pai, do Deus-Mãe?
ATÉ QUANDO?
Se soubesses a raiva que me mete o deus U-à-lá-lá...
Sê FELIZ!!
Sei que isto estava tão premente na minha cabeça que este post surgiu num guardanapo num restaurante de fast-food...ah é verdade, também há por aí o deus "Fast-Food", que também mata mas de outra forma... mas isso, fica para outra altura...
Aqui há uns largos anos atrás, vi um filme cuja acção se passava em África numa colónia inglesa onde era retratado este deus. O filme até era bem cómico e nunca mais esqueci de certas cenas. Tudo começou com uma desgraça e havia uma pobre pessoa que era o "prato favorito" deste deus. Tudo tinha começado com uma desgraça que tinha amuado de tal modo o deus que ele mandava sucessivos u-à-lá-lás como forma de castigo. O mais engraçado era que se via mesmo o céu a trovejar e num relâmpago lá vinha por aí abaixo um castigo que atingia esta pessoa. E foram sucessivos castigos até que deus se regalou e satisfez com tanto culto e oferenda.
Voltei a esbarrar-me com o deus U-à-lá-lá numa homília numa aldeia perdida no meio dos montes. E tive que morder bem as bochechas para não me desatar a rir com as imagens que me vinham à cabeça, senão ainda era fulminada pelas "beatas aventesmas". Dizia ele "não se admirem que a vida vos corra mal senão vierem à missa... a vossa obrigação é vierem todos os domingos... depois não se admirem se Deus vos castigar..." Quando saí da Igreja vinha perdida de riso com tanta imagem que me ia na cabeça e só me apeteceu ir bater-lhe à porta e dizer-lhe que não era assim que se "conquistavam as ovelhas tresmalhadas, que assim não ia a lado nenhum..." Mas quem era eu... apenas uma miúda! Aqui, há tempos, confirmei que afinal tinha razão... em vez de as conquistar, espantou-as...a quase todas...
Há para aí 3 anos, voltei a esbarrar com o deus U-à-lá-lá, numa Eucaristia animada por jovens e para jovens numa paróquia vizinha da minha, na cidade onde trabalho. Estávamos em altura de eleições e dizia ele num tom gradualmente inflamado "A vossa obrigação é ir votar... (Tudo bem até aqui) Porque não votar é pecado" E pensei em fracção de segundos (bem, o tom está a subir, isto vai dar..) E agitando violentamente o braço e subindo o tom da voz termina relampejando: "E até vos digo mais: não votar é pecado e pecado MORTAL". Trovão. Tchanana tinha chegado onde eu intuía que ía chegar. Como se fosse assim que as pessoas fossem convencidas a ir votar... Mordi, novamente, as bochechas e pensei "Olha cá está outra vez o deus U-à-lá-lá".
No meu dia-a-dia, tenho-me cruzado muitas vezes com este deus caprichoso, amuado e birrento noutros rostos. E não são assim tão poucos... Está sempre presente quando me dizem "Ai, a minha vida! Deus castiga!" ou quando dizem "Deus castigou-me porque fiz isto ou aquilo." Por norma, surgem as "rezas" maravilhosas, os sacríficios de reconquista do deus e até às "bruxas" vão porque afinal, deus desapareceu e não quer saber de nós!
Cada vez que oiço "Deus castiga" returco que "Deus não castiga. Nós é que nos castigamos a nós próprios e aos outros. Deus é Amor". Mas, não surte efeito nenhum... e já nem falo em tantas outras coisas...
Até quando?
Até quando vai existir o deus U-à-lá-lá?!
Até quando vai estar presente o deus U-à-là-lá sempre disposto a lixar-nos a vida em vez do Deus Amor, do Deus-Pai, do Deus-Mãe?
ATÉ QUANDO?
Se soubesses a raiva que me mete o deus U-à-lá-lá...
Sê FELIZ!!
Sei que isto estava tão premente na minha cabeça que este post surgiu num guardanapo num restaurante de fast-food...ah é verdade, também há por aí o deus "Fast-Food", que também mata mas de outra forma... mas isso, fica para outra altura...
6 comentários:
eheheh
També não gosto nada do "deus" U-á-lá-lá...
Mas gosto do Deus U-É-LÉ-LÉ, o Deus da Festa, da Alegria, do Banquete!!!
O Deus que nos promete que no Céu se dança o Kizomba!
Até estou a pensa no próximo domingo pedir às pessoas do coro que cantem, antes do Evangelho, "Ue-lé-lui-a, Ue-lé-é-lui-a"...
O que achas?
ahahah. Beijinho e SHALOM
Estamos muitos por aqui a torcer por ti.
Digo muita vez, quando tenho de falar nos grupos de oração, que Deus é amor, e só nos dá amor, até porque não é "capaz" de nos dar mais nada, pois tudo é amor...
Por isso dou como exemplo isto: Se uns pais derem pancada nos filhos para que eles lhes digam que os amam, os filhos acabam por dizer que amam, mas é só da boca para fora, porque por dentro cada vez se afastam mais...
Houve tempos, (se calhar ainda há), que deus até "servia" para obrigar a comer a sopa...se não desu castiga-te....
Já agora, partilho da tua "raiva"...
Abraço amigo em Cristo
Caríssimo,
ahahaha, era muito engraçado! :)!
Se tu soubesses como foi BOM ler a tua última frase. Um BERDADEIRO MIMO! Puseste para aqui umas lágrimazitas a assomar foi o que foi... hihihihihi
Já foram mais os dias que passei cá dos que os que tenho pela frente. Está quase!!!! Os desertos têm TODOS um fim. Se olharmos mais à frente em vez de estarmos sempre enroscados no deserto, ele até se torna menos sufocante, menos quente, e até imagine-se (devo estar doente) encontramos oásis exteriores e interiores!!!! Qualquer dia deixo por aqui um post sobre "as lições que o deserto me (re)ensinou"!!!! Qualquer coisa deste género.
Muito Obrigado pelos BERDADEIROS MIMOS!
Um abraço gigante,
Maria
Olá Joaquim,
Até para comer a sopa???????? Bolas!!!!! Bem, lá em casa nunca houve disso. Desde que nascemos sempre fomos comilões, hihihihi! Até mamava biberões ao "despique" com o meu irmão! Ahahahaha Se ele bebia dois biberões eu atrás não me ficava! Pedia dois para mim também!!!! Nunca houve as "cenas" para comer!
E muito menos o deus "U-à-lá-lá"!
Um abraço,
Maria
Bem Maria, felizmente em minha casa também nunca houve o deus "U-à-lá-lá"!
Mas noutras que conheci...
Ah... e lá em casa não podiamos "competir" uns com os outros a comer: erámos 9!!!eheheh
Abraço amigo em Cristo
Publicar um comentário